Na sua peça mais célebre, “O Rinoceronte”, o dramaturgo romeno Eugene Ionesco faz-nos espectadores de uma pequena cidade cujos habitantes se transformam em rinocerontes. A “rinocerite”, contraída após a inopinada aparição de um desses paquidermes, impede-os de pensar, tolda-lhes o discernimento e fá-los presas fáceis da manipulação e da impostura. A peça tem sido lida como uma alegoria do totalitarismo.
Os que se dedicam a comparar desfavoravelmente Portugal com a Roménia – como faz um recente estudo da Faculdade de Economia do Porto – foram apanhados pela “rinocerite” de Ionesco. Toldados no raciocínio,…
